Olha, ainda tem ingresso pra hoje. Dizem que o cara é foda e tal. Aquele tipo de espetáculo que te entorta te revira as tripas a partir do dedão do pé e quando você repara, já tá sem as costelas e a respiração saiu pela pele. Acho que não devemos perder... Primeira vez no Brasil e dentro de um festival. As chances do mesmo festival chamar o mesmo cara são pequenas, tanto quanto fazer natação na chuva de um sábado gelado, geladinho. É, sei que faz natação nessas condições. É só recurso retórico, entende?! Uma pessoa normal pensaria duzentas vezes antes de nadar no gelo e blá. Porra, não é pra levar tão a sério meu comentário! Eu não levaria. Não me permito me perturbar por bobagens, aprendi na yoga isso. Ai, tá desculpa. Não quis bancar a superior falemos de outra coisa enquanto a gente se arruma lindo e rápido. Mas veja bem, queridão, temos pouco tempo até calça-meia-cueca-saia-sapato não,chinelo – blusa no plural da mesma cor- bolsa e até eu decidir se vou de sutiã ou não. Tô tão sensível sei que esse cara foda tem participação nisso tudo, só de pensar os olhos se entopem de lágrimas e, daí choro e choro e quando vejo sou outra igual, mas diferente. Como num ritual, um ritual de passagem. Tenho certeza que mudarei assim que pisar naquele teatro. Vou me dissolver feito vaca. Ele é francês e tem depoimentos em vídeo. Ele faz trabalho sobre vítimas. Não sei onde estão suas meias, procure no varal. Se estiverem molhadas não ponha. Dizem que a perda de sangue não é dolorosa e que enquanto a coisa toda se esvai no tempo, a gente vai sentindo um torpor parecido com gozo. Depois do cara foda queria comer salsichinhas alemãs. De ervas.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Cartas, Rilke, Artigos e mensagens(ou Sobre arte e seus cavalos)
Paris, 17 de fevereiro de 1903
Prezadíssimo Senhor,
[...] Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo -, peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém.
Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa sua vida de acordo com essa necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão.
Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes.
Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza - relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente.
Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre a sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? [...] Se depois dessa volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará a perguntar a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por seus trabalhos. [...] Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser artista, Nesse caso, aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora.
[...] Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo.) Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.[...] Com todo o devotamento e toda a simpatia,(...).
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Hilda
Fluxo-Floema, da Hilda Hilst prosadora poética.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
La Pocha Nostra

segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Processo e pão com margarina
domingo, 17 de outubro de 2010
Tríptico
A morte agora é uma iraniana de véu e olhos penetrantes, ou, uma simples performer ressiginificando, junto a outras. Junto a outros verbos.
Fim da parte 1.
Uma carpa sorri em ideograma japonês e diz "Meu nome?(...) Meu nome é Shi Zhou." Ela para, pensa, hostiliza o ambiente e continua: " Num pequeno tanque, minha formação se deu num pequeno tanque. Nada incrível, mas uma coisinha assim ó...! Se colocada num lago, seria 3 vezes maior. Atingiria uns 21 centímetros,talvez. Sou altamente adaptável, mas não quero falar nisso. Saltarei uma cachoeira na época da desova,será meu grande feito."
Fim da parte 2.
"Olha! Não é uma bela imagem?!" Um vídeo do preparo de um prato de comida. Visto de cima. Apenas mãos cortando legumes, de preferência em tiras finas. Sem caras, só cores, processo e som. Um corte e uma nova imagem.Digna de novela, horário nobre. Um homem com cachinho na testa organiza os bois. Todos para o abate, ao som de jazz. Custarão 1,99 no MC Donald's. Shi Zhou ainda sorri
Fim da parte 3.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Dias 28
domingo, 12 de setembro de 2010
Amor em forma plural e algumas cores
umas das grandes coisas do fim-de-semana foi a abertura da exposição do Hélio. Numa tentativa de recriar as ambientações em que trabalhava, nota-se a afetividade de seus trabalhos e relações. Com amigos queridos num sábado fora da rota do tempo a coisa toda reforçou a questão dos afetos, do contato, da contaminação com a história do outro. Tenho tentando realizar um projeto que fala sobre o amor em pluralidade, das situações em que ele é vivenciado. Do interesse ao desprezo, tenho buscado, através desse, falar de amores.
sábado, 21 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Roberto Piva
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Tô ficando atoladinha
Algumas idéias com as pontas soltas na cabeça, duas monografias de 20 laudas cada para entregar no mestrado, vídeo em edição, livros pra ler gravações de um novo trabalho e contos pela metade. Tenho escrito contos pela metade, uma dúzia deles. Tecnicamente estou de "férias", mas sem moeda no bolso nem planos de viagem, resta-me o cansaço e dores no ombro. Provavelmente terei que usar óculos em questão de uns dois anos, portanto, essa imagem que roubei do site da Miranda July faz todo sentido. Preciso escrever mais ficção ou ao menos completar o que inicio...rs