quarta-feira, 23 de julho de 2008
Obrigada!
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Varrer o quarto e arrumar a cama
Tenho saído com a chinesa. Quando a fodo ela sussurra versos em cantonês e me morde a orelha deixando quase sempre, escorrer uma baba do canto da boca diminuta. Ela faz teatro. Ela gosta de batatas, as conheceu aos 20 anos e desde então, quando possível, não as dispensa. Desde as batatas passaram- se 5 anos. Ela gosta do Brasil, ainda que com protetor solar. Ela gosta do Brasil e de mim. Sempre me conta, em seu português sofrível, histórias do campo, das angústias vividas nas entressafras, das longas horas de trabalho pesado e das mãos ressecadas. Ressalta que por conta delas resolveu sair dali e estudar. Queria e merecia mãos melhores. Diante de seus causos pareço um repolho, um mimadinho desinteressante criado à Danoninho e Cheetos, um filho de vó sensível ao calor e a apartamentos não refrigerados.
Nossos universos distintos. As feiras aos domingos. Os tomates no chão ao fim da tarde e o cheiro de peixe. Ela e seus pés pequenos. Ela e seu rosto incrivelmente liso. Ela e suas reticências. Ela e seus livros. Hoje é na minha casa. Aviso. Ela pergunta o cardápio. Digo que isso não é comigo. Falo do disk pizza. Ela faz cara feia e promete fazer um prato típico. Insisto no disk pizza. Ela me xinga em mandarim e ameaça um misto de macarrão thai e won tong com farinha integral. Meu paladar provinciano não gosta, mas aceita. Penso em seu ventre e no filho que não vamos ter, em suas entranhas delicadas e úmidas, em seu gestual marcial e belo, em suas leituras dramatizadas e na preferência por Nelson Rodrigues. Ela pega as chaves do meu carro, me deixa nu em sua cama e diz voltar logo. A casa tem baratas enormes.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Fui comprar cigarros
Fui à praia e você não percebeu. A depilação com cera africana, a esfoliação, a pele hidratada, o novo corte de cabelo, a marca de biquíni cuidadosamente cultivada em horas infindáveis de exposição às radiações solares e cancerígenas... Nada, absolutamente nada adiantou. Fiz brigadeiro branco com creme de damasco e calda de avelã, que você adora e, sempre quando faço, come feito um porco. Limpei o azulejo do banheiro pra você nunca mais escorregar no banho, joguei as calcinhas velhas fora e comprei novas, alimentei o cachorro e molhei as plantas. O que mais você quer? Você não tem me notado e não me escuta mais. Preciso relaxar, preciso de outra vida! Preciso ver um filme do Jim Jarmusch. Não fumo, mas vou lá embaixo comprar cigarros. Talvez eu volte.
*Repetindo, a pedidos...
domingo, 13 de julho de 2008
Obrigada, Abdul!
segunda-feira, 7 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Foi
Deixo-te filhos feios,
Um câncer
E promessas de compra e venda.
Deixo-te versos,
Pelos quais voam,
Pássaros mortos,
Batendo asas flácidas,
Planando vôos tranquilos.
Amor,
Deixo-te
Ex.
domingo, 29 de junho de 2008
Um dia
Abriu a sacola do mercado que havia esquecido há 3 dias sobre o sofá rasgado da sala. A espuma verde do estofado velho, a sacola plástica, o líquido de carne apodrecida se espalhando pelas coisas. Revirou a sacola, tirou uma lata de não sei o quê, cinco quilos de arroz num saco bege, um real de pão e a carne. Levou-a pingando até a cozinha, atravessou o corredor de casa deixando uma trilha fétida e viscosa de morte. A barriga roncava à fome e ressaca. Jogou o saco da carne na pia, rasgou, abriu a torneira e deixou a água escorrer. O vermelho se misturando, se diluindo, o cheiro se esvaindo aos poucos, a barriga ainda roncando, a cabeça latejando a cerveja de ontem, os olhos e a boca ressecados, a água descendo... Pegou a frigideira dentro do armário, jogou meia lata de óleo, testou as quatro bocas do fogão, acendeu a única que funcionava, pegou parte da carne, jogou sal e fritou. Mastigou a seco e foi para seu quarto mudar de roupa. Se arrumou atrasado pro trabalho. Rasgou fotografias. Esqueceu de escovar os dentes. Tudo na mesma manhã em que soube ter nascido de cesariana.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Moska e Negro Mendes
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Um texto do livro
Latente precipício das deformidades do íntimo
O dia era novo. A loucura era a mesma. À fresta de seu quarto iniciava um dia ensolarado e radiante, daqueles com ar de balneário nas férias de janeiro. Seus olhos remelentos pediam penumbra, fechou as cortinas com um semblante de homem das cavernas. Fez seu desjejum com o vinho mais caro de sua adega particular, sorveu a própria melancolia em goladas vermelho-bordeaux. Ouviu o vendedor de pão-doce berrando iguarias matinais, fez-lhe ameaças em silêncio, entre sussurros e resmungos e movimentou-se vagamente de um lado a outro, numa gagueira gestual. Os filhos se arrumando pra escola, ele pensando no próximo passo...
Desempregado que era bocejou um cansaço e uma expressão de pânico. Abriu a gaveta e tirou seu revólver, sentiu um vazio maior que o comum, o resto do dia a ser preenchido, a arma reluzindo magnética... Mirou, mirou e deu um tiro no pé. Sentou no sofá da sala e deu-se a um assobio de melodia dissonante, ficou parado, olhando a dor, sentindo as pausas. Alguém gritou “bom-dia”, o filho mais velho ofereceu ajuda, ele pediu mais vinho, o pé jorrando viscoso...
Se quiser mais: www.editoramultifoco.com.br
domingo, 22 de junho de 2008
Moska
Dia 26/6 a partir de 17 horas tem mais um Amostra grátis e Workshow com Moska e Negro Mendes. Onde? Rua Barão de Mesquita, 539 no SESC- Tijuca.

