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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Método de cozimento a vapor
Não estava disposta a estabelecer um relacionamento entre mim e ele. Algo de terrível dispunha-se inteiro ante minhas intenções mais razoáveis de vida a dois, uma espécie de derrame de lucidez, espasmos de realidade atravessada na coluna, no canto dos olhos, no fôlego. Me propus ser acintosamente feminina, feminina de esmalte e cabelos lavados, o tipo de fêmea que surge no ideário grisalho dos machos médios.Tudo dependia de atributos e retornos, de um samba sincopado dançado às três da manhã com um qualquer de pau duro e sorriso de alface. Era preciso manter a sociabilidade, um micro território relacional intermediário, abrir para outros minha superficialidade indigna. Convívio raso e encontros casuais, felicitações em mictórios públicos, no grau de aleatoriedade que os amores saudáveis deveriam ter, se houvesse saúde nas relações. Minhas experimentações me levavam ao estágio primário do ser humano, entendi ter sido feita para relacionamentos curtos, para doses pequenas. Sentia que sujeitos desconhecidos me encarando com fervor e carência era o ápice da sensação de arrebatamento, não só eu fui feita para relacionamentos curtos, como minhas tetas foram feitas para contatos breves.
Como de praxe, me sentia tomada por um desejo insaciável. Encontraria com ele logo mais à tarde, já sabendo de sua insistência em matrimônios e bolos de glacê e, ainda que ultimamente parcimoniosa nas demonstrações de afeto, não me furtava às fodas de fim de tarde. Coisas a serem guardadas na memória da pele, no tato do falo. Nesse ânimo segui aos preparativos festivos de calcinhas e outras civilidades eróticas e, na quietude de fêmea indócil, escorava pelas paredes como que tentando frear. Segui pelas ruas convocando meus recursos, me controlando, me limitando à passagem dos carros e senhoras comendo paçoca. Um dia cinzento, daqueles que vemos em noticiários de TV: “Dia cinzento mata 4 no Rio de Janeiro”. Era assim.
Borrada em cinza dobro mais um quarteirão, atravesso a rua, olho para os lados, ajeito predicados, fortaleço o egoísmo, cuspo o chiclete gasto na calçada, entro em seu prédio, abro a porta, me dissolvo. O cheiro áspero que os perfumes masculinos tentam sublimar permeia o ambiente. Ele um homem triste. Eu, toda oferenda. Não me interessava sua vida, apenas seus desdobramentos. “Linda” ele diz, já me pegando por trás com a mão esquerda estendida nas ancas, afrontando o corpo num tesão travestido de educação e postura, com a fome do sexo tardio, com o gozo ansiando o momento do sim. Sua voz me atinge o diafragma, me atravessa quente e macia, estimulando contrações musculares involuntárias e pensamentos lascivos e inconformados. Eu vociferava com o corpo avulso e lhe lambia as esquinas com a devoção de um monge, gemia minhas úlceras com a entrega de quem espera a morte.
No meu sonho o cheiro do seu sexo me confortaria naqueles momentos em que a vida arde. Seria o júbilo dos dias desfavoráveis e me convenço por instantes em contrair núpcias como se um drama que legitimasse minha vida, como se à espera do caralho prometido, do brigadeiro nos sábados de eu-te-amo-querida. Eu me verteria em penumbra silenciosa sabendo que, no pós-coito seria a mulher da sua vida. Neurótica e estridente visualizava o que poderíamos ter. Teríamos bichos em volta. Um cachorro pequeno e portátil para facilitar as viagens e a vida de apartamento, o chamaria Roberto e a solidão se dissolveria nos latidos e passeios a fim de aliviar suas necessidades diárias. Roberto seria feliz conosco. Roberto não usaria meias. Não simpatizo com Roberto. Não me satisfaço com as benesses do verbo. Minhas cicatrizes observadas por estranhos confortam mais. Caminho pra vida e na minha cama bate sol.
Como de praxe, me sentia tomada por um desejo insaciável. Encontraria com ele logo mais à tarde, já sabendo de sua insistência em matrimônios e bolos de glacê e, ainda que ultimamente parcimoniosa nas demonstrações de afeto, não me furtava às fodas de fim de tarde. Coisas a serem guardadas na memória da pele, no tato do falo. Nesse ânimo segui aos preparativos festivos de calcinhas e outras civilidades eróticas e, na quietude de fêmea indócil, escorava pelas paredes como que tentando frear. Segui pelas ruas convocando meus recursos, me controlando, me limitando à passagem dos carros e senhoras comendo paçoca. Um dia cinzento, daqueles que vemos em noticiários de TV: “Dia cinzento mata 4 no Rio de Janeiro”. Era assim.
Borrada em cinza dobro mais um quarteirão, atravesso a rua, olho para os lados, ajeito predicados, fortaleço o egoísmo, cuspo o chiclete gasto na calçada, entro em seu prédio, abro a porta, me dissolvo. O cheiro áspero que os perfumes masculinos tentam sublimar permeia o ambiente. Ele um homem triste. Eu, toda oferenda. Não me interessava sua vida, apenas seus desdobramentos. “Linda” ele diz, já me pegando por trás com a mão esquerda estendida nas ancas, afrontando o corpo num tesão travestido de educação e postura, com a fome do sexo tardio, com o gozo ansiando o momento do sim. Sua voz me atinge o diafragma, me atravessa quente e macia, estimulando contrações musculares involuntárias e pensamentos lascivos e inconformados. Eu vociferava com o corpo avulso e lhe lambia as esquinas com a devoção de um monge, gemia minhas úlceras com a entrega de quem espera a morte.
No meu sonho o cheiro do seu sexo me confortaria naqueles momentos em que a vida arde. Seria o júbilo dos dias desfavoráveis e me convenço por instantes em contrair núpcias como se um drama que legitimasse minha vida, como se à espera do caralho prometido, do brigadeiro nos sábados de eu-te-amo-querida. Eu me verteria em penumbra silenciosa sabendo que, no pós-coito seria a mulher da sua vida. Neurótica e estridente visualizava o que poderíamos ter. Teríamos bichos em volta. Um cachorro pequeno e portátil para facilitar as viagens e a vida de apartamento, o chamaria Roberto e a solidão se dissolveria nos latidos e passeios a fim de aliviar suas necessidades diárias. Roberto seria feliz conosco. Roberto não usaria meias. Não simpatizo com Roberto. Não me satisfaço com as benesses do verbo. Minhas cicatrizes observadas por estranhos confortam mais. Caminho pra vida e na minha cama bate sol.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Tetas e Honra ao mérito
"Eu queria ser a figura decisória, a mulher que se aproveita do marido para se infiltrar como espiã independente no topo do serviço. Entretanto eu estava ali num papel abaixo do modesto, dando de mamar ao homem que persigo desde a puberdade, quem sabe já a partir da infância. Para onde iríamos agora? Quando partiríamos? Sim,sim, aquele que deveria ser um dos príncipes do tráfico na região sul do Brasil, mamava do meu peito e não parecia disposto a se apressar. Sua boca sugando meus mamilos dava-me a sensação de um fluido a sair de mim para me fazer gozar e contagiá-lo, sim. Era como se ejaculasse pelas mamas."
*de "Acenos e Afagos", do Noll.
*de "Acenos e Afagos", do Noll.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A Paranóia do Piva
Foi relançada! Custa 60 contos, mas ainda há motivos para comemorarmos! Xérox,sebo, emprestado dos amigos...
A "grande boca de mil dentes" não mastigará nosso parco dinheiro, nem nossas referências literárias! rs
Vale lembrar que, ainda é mês do meu aniversário! ;)
ó : http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673660.shtml
A "grande boca de mil dentes" não mastigará nosso parco dinheiro, nem nossas referências literárias! rs
Vale lembrar que, ainda é mês do meu aniversário! ;)
ó : http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673660.shtml
sábado, 16 de janeiro de 2010
Vivia o momento com uma espécie de enlevo
Com uma quantidade indefinida de objetos na bolsa, saiu às ruas de sol amarelo pastoso. Nada ali era necessário e, ainda que um traço de lucidez e cifose o atormentasse, seguia o ritual com a religiosidade dos que só tem a si e aos gestos.
Homem de poucas palavras, de matizes cinza e gosto de fome ao meio-dia. Quarenta anos e dentes ruins. 50% do corpo comprometido. Três amantes ordinárias e o medo de comprometer-se para além dos sábados. Restavam-lhe os caramelos e os objetos. Atravessou a rua olhando os próprios pés, um-dois, um-dois. O sentido se esvaindo. A padronagem sempre a mesma.
(... Continua...)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Dia 7 de janeiro, meu ano novo
Lembro que, quando criança, achava estranho as pessoas na rua não me cumprimentarem pela data, cresci um pouco e continuo não entendendo. Faço então, minha parte. Anuncio a quem tiver paciência de me aguentar, tem dado certo.
Creio que 2009, profissionalmente, foi um grande ano. Fiz um livro( Suor dos dias frios) em parceria com Cassia, a Lyrio! O projeto ganhou uma unidade narrativa imensa, as ilustrações propõem uma forma que só havia visto em livros infantis, nunca em temática adulta. Lançamos na Flip com dinheiro próprio e vamos trabalhando formas de publicação acessível para 2010. Lancei pelo selo "Peri,Go" de poesia de rua, Canivete do sutiã. E formamos, eu, Arthus Fochi, Tomaz Musso, Bruno Cordeiro e Heyk Pimenta uma cooperativa para dar andamento à coleção, que já publicou vinte títulos e pretende publicar livretos (que já fazemos) 12, 16, 20 páginas, em formato 10x10 cm, em xerox. "Também publicarmos livretos de luxo, capas em papel cartão e cerca de 40 páginas, além de livros, projetos de tradução, e antologias à altura de nossos anseios e gostos." Vale lembrar que a idéia do selo surgiu entre confabulações do Giovani Baffo, Bruno Cordeiro e Heyk Pimenta...
Participei do Festival Panorama de dança contemporânea através de uma residência com a bailarina e coreógrafa turca, Zeynep Gunsur e fiz alguns bons amigos, além de exercitar a poética de uma dramaturgia em dança.Demos andamento, eu e Cassia, ao R/C, nosso projeto de arte urbana e, entre ameaças de polícia e criaturas terríveis, conseguimos um lugar na programação do viradão cultural, publicação na mídia, participação num evento do CCBB em comemoração aos 50 anos do Neoconcretismo e o desdobramento do R/C no "Subversos e frases sem ponta" porque a poesia tem que circular, não é artigo de luxo, não é garantia de erudição, é meio de vida!
E por último, mas não menos importante, passei no mestrado em Ciência da arte na UFF. Passei bem,obrigada. Passei em 4º.Quarto crescente e cheio!
Tenho muito orgulho dos meus pares, dos meus amigos.De aniversário em aniversário, sigamos juntos, trabalhando e amando e seguindo a canção!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Na Rua
sábado, 19 de dezembro de 2009
Subversos e Frases sem ponta
Subversos e Frases sem ponta é uma intervenção nos códigos visuais e gestuais da urbanidade, propõe-se espalhar lambe-lambes pelo centro da cidade, em locais próximos às instituições de arte e distribuir panfletos com frases que mimetizam essa prática comercial do mercado informal urbano. Panfletistas que, ao invés de oferecer um lugar onde vende-se ouro, oferecem uma quebra, um antifluxo mental poético e político.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
R/C
Dia 16 de 12:00 até 15:00 nas imediações do CCBB acontecerá "Subversos e Frases sem ponta". Eu e Cassia ávidas por sua presença!
Detalhes: http://www.marginaisherois.blogspot.com/
domingo, 6 de dezembro de 2009
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