sábado, 7 de fevereiro de 2009

Autor/Ator/Burguês



*Vittorio de Sica, um diretor italiano com estética neo-realista produziu, assim como outros cineastas desse movimento, filmes abordando questões sociais sob a visão/situação do proletariado, especialmente no pós-guerra. Achava que para passar verdade, em algumas produções era necessário trabalhar com atores não profissionais próximos da realidade da personagem. Sem mais blá,blá,blá... "Ladrões de bicicleta" é um filme bonito, assistam. ó só um trecho de um documentário em que ele explica a necessidade dos não-atores,é interessante:

" Eu quero explicar que minha posição em relação aos atores,ou melhor, aos meus colegas,não é polêmica... é mesmo uma necessidade... Todos os filmes de caráter popular precisam de personagens que se afastam muito daquela que é a profissão do ator. O ator é um burguês!
O ator nunca conseguirá ser o operário de "Ladrões de bicicletas." Até o "Umberto D", ainda que burguês, não poderia ser feito por um ator. Porque entre os excelentes atores, os grandes atores, não havia o rosto de Umberto D. E, além disso, há milhões de personagens enquanto os atores são 30,40,50,60... Mas as personagens são muito mais numerosos que os atores e nem todos têm o rosto de todas as personagens que podem surgir da fantasia de um autor."

4 comentários:

Gaja disse...

Fora a generalização, há muita verdade nisso, ao meu ver...
Não deixa de ser óbvio. Mas há sutilezas, como a proletarização dos atores.

dudv disse...

Interessante. Quero ver o filme.

Como está cult. Parabéns!!!

Rachel Souza disse...

Sim, há generalização em alguns aspectos, mas deve-se levar em conta que ele disse isso lá por 1948.

Mari disse...

que beleza!
(sou péssima com comentários)