sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rebaixo

Acordou ainda embriagado, abriu os olhos, teve a clara percepção do teto se movendo, fechou os olhos, começou a chorar. Em seus incentivos internos ouvia uma voz de coragem e sabedoria. Tentava, aos poucos e em contorções, se dedicar ao despertar digno de um homem maduro de 65 anos, pai de sete filhos e três abortos. O teto, ainda em movimento, despedaçaria cada parte do ser ali deitado, sem forças, sem ânimo, em questão de risadas a coisa estaria feita. seu corpo estriado seria um ícone do acerto de contas astral,seria uma prova do "aqui se faz, aqui se paga". Gritando de medo, levantou da cama, pôs a mão direita nas gorduras, investimento de anos, com a esquerda se apoiava nas coisas até achar um cutelo. Não só o teto, agora o chão tremia e ondulava em desacerto. Ele, choro, grito,incertezas,calça apertada... Cantarolando uma música evangélica,cutelo em mãos ligou pra uma das filhas e disse,voz rouca: Vai começar.

6 comentários:

Simone Tome disse...

Quero ler mais!

Victor Meira disse...

Treta! O fim é fatal, Rachel, um belo presente troiano.

elmo thompson disse...

oi, Rachelzita, quanto tempo... Não sei se tô muito contaminado pelas desgraças cotidianas (minhas e alheias), e por isso projetei nesse teto movediço configurações próprias de desgraça, o começo do fim, o final dos tempos, a união das pontas. Não será todo término a pretensão de um novo começo, me pergunto. Estremeci também...

Flávia Muniz disse...

ai! Que curiosidade!???
Isso é novela?
cadê o último capítulo?

:)


beijos

RAFAEL NAZARENO disse...

...ATO CONTINUO PEGOU A GALINHA PELO PESCOÇO,A ÚLTIMA QUE RESTOU,ESQUALIDA, E DECEPOU-LHE A CABEÇA.ENTRE LÁGRIMAS E SANGUE INICIOU O PREPARO DO JANTAR.TERNMINOU ASSIM,TRAGICAMENTE A VIDA DIFICIL DE RAIMUNDA,UMA "PENOSA" SEM EIRA NEM BEIRA...

Anônimo disse...

No livro nexus, Henry Miller escreve uma novela quando precisa de grana. Mas não é em enredos que ele realmente quer se envolver. Não tem inclinação para soltar-se em enredos. Quando leio coisas suas sinto que você é boa simplesmente falando; sem enredo mesmo. Isso é vibrante: não precisar de enredos!
Rafael Alvarenga