segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quatro Quartetos

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambas talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo tempo é irredimível.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade
Neste mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo das galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
Para o roseiral.
Assim ecoam minhas palavras em tua lembrança.
Mas com que fim
Perturbam elas a poeira sobre uma taça de pétalas.
Não sei.
Outros ecos
Se aninham no jardim. Seguiremos?

T.S Elliot

3 comentários:

João Campos Nunes disse...

Uma rápida passada por aqui me rendeu, na pior das hipóteses uma inveja e admiração profunda.
Ainda mais por quem as sente pelo Elliot.

Parabéns. Hei de voltar com freqüência. (Com ou sem trema).

adelaide amorim disse...

Oi, Rachel!
Beijo de fim de ano e desejo de um 2009 só alegrias e sucesso.

Victor Meira disse...

Me afeiçôo facinho com poemas-ensaio-filosófico. A proposta nem é estética pela sonoridade, ou pelo formalismo. Ele te faz sentir por meio da pira intelectual dele. Eu acho ótimo, acho mais honésta que a poesia marretada em figura de linguagem (a que compete com a arte plástica, hahahaha).

O tempo é poesia por si só.

Belo recorte, Rachel!