sábado, 5 de abril de 2008

Conquista

Piscou olhos borrados sobre o balcão, sinalizou uma bebida e vomitou uma poesia.

Trêmula, com a alma cambaleante e solta, devotou parcos minutos de atenção a um cabra desavisado. Beijou-lhe a face murcha e pediu que pagasse uma, duas, três, quatro, oito doses... “Tudo certo, tudo beleza!” Ele pensou. Ela bebeu. Alimentou cirroses engessadas, subiu um dedo da saia e fez cara de infeliz, apontou um caminho e seguiu. Ele, sem resistências prolongadas, aquiesceu. Pensou ter ganho a noite por umas doses de cachaça e euforicamente criança,agarrou-a pela cintura. Ela estava armada. Ele não sabia.

3 comentários:

eduardo disse...

texto forte.

Estéfani disse...

Uma 'moça' de maquiagem borrada, batom vermelhão e unhas feitas. O cretino talvez nem tenha morrido.

rafael disse...

toda vez que leio um texto seu sinto vontade de rir chorar,uivar,me esbofetear e sair cantando mundo afora.maravilhoso.